Ex-Mulheres XIV – “O Arqueólogo”
Fevereiro 17, 2008
É uma profissão raríssima no Brasil. Mesmo porque não há merda nenhuma a ser descoberta – nossos índios vivem até hoje da Idade da Pedra. Mas no duro, Jaime era arqueólogo.
Numa de suas andanças pela América Latina, enquanto passava por Tecnotitlán, conheceu Marta. A garota não tinha nada de especial. Não era bonita, não era muito inteligente, não tinha muito dinheiro, não tinha muitos amigos e nem mesmo era simpática. Porém, por alguma razão que até a ele mesmo fugiu, Jaime se apaixonou.
Quando regressou de viagem, arrastou Marta para o Brasil. Em poucos dias estavam casados, numa cerimônia para poucos. Marta, uma guatemalteca, não tinha muitos amigos, ainda mais em outros países. Jaime, por outro lado, não era muito ligado à família e muitos de seus amigos estavam no exterior.
Passados alguns meses, Marta já não podia compreender o que levara Jaime a se casar. Não a procurava muito para sexo, nem para conversas, nem para nada. Aparentemente, havia se casado por interesse… mas que porra de interesse, já que ela não tinha onde cair morta e mal falava português?
Marta ia se sentindo cada vez mais sozinha e mais intrigada com o marido. Nas poucas vezes em que transavam, Jaime fazia perguntas sem cabimento, relacionadas a parentes, vila e árvore genealógica da esposa.
A palhaçada foi adiante, sem que Marta entedesse. Contudo, um certo dia, um arqueólogo amigo de Jaime os visitou. Seu nome era Thomas – uma francês alto e narigudo, até mesmo um pouco bonito.
Foi muito simpático com Marta e com ela conversou por horas, mesmo após Jaime se deitar. Tinha um castellano perfeito, sem sotaque francês, e Marta ia se deixando levar pela conversa, com alguma ajuda da bebida. Se beijaram no sofá preferido de Jaime.
Os dois começaram a manter um caso. Marta passou a ir ao “banco” e ao “supermercado” com notável frequência, ainda que o marido não se desse conta. Durante três meses transou e conversou com Thomas… muito.
Até que um dia Jaime chegou em casa e não encontrou a esposa. Procurou, procurou, mas ela havia desaparecido… levando roupas e tudo mais.
Não foram necessários mais de dois meses para que Jaime visse pulular nas publicações especializadas notícias sobre a grande descoberta da tribo remanescente dos maias. O descobridor e autor do trabalho: Thomas. A descoberta? Marta e sua família. Jaime já desconfiava, mas achou que casar era um expediente bastante para lograr as informações. Pois é, quem não dá assistência abre espaço para a concorrência. Além do mais, os maias também trepam.