Downsizing. s.m. – as empresas, especialmente nesses tempos de crise, anunciam a torto e a direito programas de “downsizing”. 1. Modo de dizer que “a empresa está na merda” de um modo pomposo e eufemista 2. Excelente desculpa para botar você na rua, provavelmente “descontinuando” seu departamento 3. Uma maneira de referir-se às consequências diversas das cagadas efetuadas pela diretoria da empresa, bem como ao modo de resolvê-las.

Josias abriu cuidadosamente a porta da cozinha. Assim que escancarou a porta-camarão que separava o cômodo da ampla sala de jantar sentiu um vento gelado nas canelas e chegou até mesmo a ouvir um zunido. A cozinha parecia ter sido levada por uma quadrilha daquelas que assaltam caminhões das Casas Bahia. Sem fogão, sem armários, sem nenhum mobiliário, sem mesa, sem gaveteiros, sem panelas e até mesmo sem cortinas. Apenas, como se fora um monolito medieval, a tal geladeira em inox de porta dupla – e claro, com seu dispenser especial para água e gelo.

A esposa, Fátima, vinha enchendo o saco para que ele comprasse a tal geladeira desde que começaram a organizar a mudança. De nada adiantava Josias argumentar a respeito do orçamento, que era curto e tudo mais. Fátima tinha certeza que na base das prestações “dava pra segurar”. Dava o cacete, mas o fato é que Josias, além de meio pau-mandado, tinha pouca paciência. Um dia ficou puto, botou todos os móveis e utensílios da cozinha no prego e deu entrada na merda da geladeira.

Como mulher satisfeita só existe em filme, assim que chegaram na casa nova, com a cozinha virando o “quarto de bebê da geladeira”, Fátima desatou a reclamar. Precisava de fogão, armário, gaveteiro e a puta que pariu. De novo, a história do orçamento não funcionou e dá-lhe Josias nas Casas André Luiz, procurar de segunda-mão o que havia botado no prego de primeira.

Gastou uns 500 contos, mas conseguiu quase tudo o que queria. Descolou um carreto, enfiou tudo na caçamba e foi para casa descarregar. Como além de pau-mandado e sem paciência Josias também não tinha muitos neurônios, resolveu amarrar as tralhas com um cabo de aço.

Chegando em casa, começaram ele e o cara do carreto a descer tudo. Quando chegou no fogão, que ia amarrado com o cabo de aço, o sujeito do carreto deixou escorregar e cair no chão. O problema seria só o fogão, se o idiota do Josias não estivesse com o cabo atado ao pulso. O peso do fogão desabando fez o cabo correr em seu pulso, e o sangue jorrou para todo lado.

O coitado foi para o Hospital das Clínicas, onde teve de amputar a mão direita. Ficou só o toquinho. Chegou em casa no dia seguinte, todo fodido, sem dormir, com a mão amputada e uma sede do cacete. Foi para a cozinha, pegou um copo e foi em direção à geladeira. Pôs o copo em cima da pia e abriu a porta – praguejou quando viu que não conseguiria manusear a garrafa para encher o copo – e foi aí que lembrou da merda do dispenser. Pressionou o copo contra a alavanca e o encheu de água gelada.

Quando dava os primeiros goles, Fátima entrou na cozinha. Olhou para o marido e limitou-se a comentar: “eu não disse que precisávamos dessa geladeira”. Josias passou o resto do dia descendo bordoada na mulher, com o toquinho mesmo.

Mande sua sugestão para o novo tema do “Desafio do Literato”. Mande um objeto, móvel, figura, qualquer coisa o mais detalhadamente e com mais descrição quanto possível e leia o próximo conto. Sugestões para lipsworld@hotmail.com

Trabalho como editor em uma publicação online. Sisuda, séria, de caráter econômico, acreditem ou não. Em maio passado completei oficialmente dois anos no posto – sim, tem louco para tudo, mas como não sou eu quem paga meu próprio salário, não entrarei no mérito.

O fato é que, ao longo desse período, pude constatar que as mulheres realmente trabalham melhor que os homens, em linhas gerais. Não me condenem. Meu melhor repórter eu indiquei para um emprego melhor, outro saiu da agência por outra oportunidade, embora eu esteja certo de que as razões eram pessoais, e o terceiro… bem, o terceiro é um caso à parte.

Derrubei a primeira das lendas a respeito de cargos de chefia nos últimos meses: a demissão. É difícil demitir, dizem. Não, não é. Bom, não posso deixar de dizer que eu aguardava a oportunidade de tal demissão com olhos muxoxos de uma criança na véspera de Natal, mas diriam os sábios que eu não teria uma noite muito tranquila. Dormi como um bebê. Poucas semanas depois, por ordens superiores, tive de me desfazer de outro funcionário, o qual eu preferia que ficasse. Foi igualmente fácil.

O fato é que, vai um volta um, disponho hoje de uma equipe de três repórteres mulheres – mais rápida, francamente mais determinada e certamente mais obediente. Não, nã contratei ninguém pois queria molhar o biscoito. E não, também não foi por indicação de algum amigo que quisesse molhar o biscoito.

Por enquanto corre tudo às mil maravilhas. Produtividade em alta e exatidão no trabalho. Tudo deve correr muito bem, até uma delas resolver começar a vender produtos da Avon. Sabemos… as mulheres estão roubando os empregos e postos dentro das empresas, mas qual delas resiste a um batom em promoção?