A humanidade sempre considerou interessantes os malabaristas. Desde a Idade Média, artistas itinerantes e circenses capazes de equilibrar pratos na cabeça ou fazer malabarismos com múltiplos objetos usando apenas as duas mãos fizeram sucesso entre os espectadores.

Sempre. Até o ano 2000, aproximadamente. Daí por diante, tal prática virou algo “cool” entre estudantes esquerdistas e hippies, além de ser a melhor resposta dos governos brasileiros – sejam eles municipais, estaduais ou anormais – para a completa falta de cultura e analfabetismo que infesta o país desde seu Descobrimento.

Desde então, os fárois das metrópoles brasileiras viram-se apinhados de pivetes – e alguns nem tão pivetes assim – que utilizavam-se de duas varetas, uma em cada mão, para fazer pífias evoluções com um pauzinho, artifício muito eficaz para atentar contra a ignorante generosidade de motoristas, que incentivavam a disseminação das bizarra e quase paleolítica forma de “arte” mediante esmolas concedidas.

Mas como tudo na vida evolui – e no Brasil, involui – novas variantes do malabarismo de farol começaram a proliferar. Começou com o malabarismo “dificílimo” com duas laranjas e por vezes envolveu certas habilidades com os pés – claro, o país do futebol não podia passar sem essa.

Mas um amigo num dia desses assistiu ao que há de mais novo na prática – a vanguarda do malarismo de semáforos, se me permite dizer. Parado a um farol, viu chegar à frente de seu carro um garoto (na verdade tinha barba e poderia tranquilamente ser um servente de pedreiro). Sem absolutamente nada em suas mãos, o rapaz iniciou um indizível “simulacro”, onde mimetizava movimentos de malarista, embora não se pudesse ver bolas, laranjas, varetas ou qualquer outra merda.

Terminando o “show”, o rapaz apareceu à janela do carro, estendendo a mão. Meu colega abriu o vidro e generosamente levou o punho fechado até as mãos do rapaz. Abriu… e não havia nada. Sim, nada melhor do que dinheiro virtual para malabarismo virtual. Caso se esforce, o rapaz até pode comprar um hot-dog virtual, virtualmente matando sua fome, que a essa altura, provavelmente já lhe afetou o cérebro.