O português tem fama de burro, o brasileiro é estatisticamente analfabeto, e Angola e Moçambique falam praticamente zulu com sotaque de dono de padaria. Não era de se espantar que uma reforma linguística na verdade fosse uma mera simplificação do léxico em favor do populacho.

Mais uma ou duas reformas e palavras como “crônico” ou “averiguar” se tornarão praticamente machadianas. Por volta de 2030, 90% da população mundial de fala portuguesa não utilizará hífens, tremas, vírgulas, travessões, acentos circunflexos e consoantes mudas.

A nova reforma, porém não extinguiu a mesóclise, bastião máximo da pedância e desfaçatez na língua portuguesa. Só reside aí um problema – ninguém sabe usar a mesóclise. Para tanto, um programa ‘open-source’ gratuito, podendo ser baixado inclusive no celular, sugeriria automaticamente uma mesóclise todas as vezes em que o usuário incorresse em uma chance de usá-la.

Pesquisas da Universidade de Tóquio, Pensilvânia, comprovam que a partir de 2020, o uso da mesóclise será sexualmente provocante e que muitas mulheres e homens basearão a escolha de seus parceiros na colocação pronominal. O mesmo estudo aponta que a conjugação de verbos no subjuntivo pode levar ao orgasmo.

O futuro é incerto e ninguém sabe o que nos é reservado. Porém, proliferando pequenas e simples idéias, podemos tornar o mundo um lugar bom para se viver, ainda que longe do que chamaríamos de ideal. Nos dias atuais, não mais se paga coisa alguma em dinheiro em espécie – todos andam com cartões, que cada dia se tornam mais versáteis e se aplicam em setores e áreas que sequer imaginaríamos na década de 80, por exemplo.

O dízimo é uma prática comum em igrejas e templos erguidos sem precisão de projeto em suas colunas de sustentação – como podemos observar no caso da Renascer em Cristo. Porém, não é justo que os fiés tenham de carregar vultosas somas em dinheiro, ainda que seja para a benfeitoria divina. Infelizmente, Cristo traz felicidade e riqueza, mas como não é da PM, não impede gatunos de levar sua grana.

Demorou para a Visa ou a Mastercard criarem o Cartão-Dízimo. O mecanismo é simples – o fiel cadastraria uma senha, equivalente a seu salmo favorito e quando cobrado o dízimo, a digitaria, debitando automaticamente 10% de seus rendimentos de sua conta corrente.

O famoso “passem a sacolinha” seria substituído pelo high-tech “passem a maquininha”. O sistema operacional da máquina, completamente adaptado, seria de fácil utilização por parte de pastores e ajudantes. “POR FAVOR, DIGITE OS QUATRO ÚLTIMOS DÍGITOS DO CARTÃO, COM A GRAÇA DE DEUS”; “FAVOR DIGITE O SALMO, E QUE CRISTO ESTEJA COM VOCÊ”.

O sistema e a maquininha não implicariam em custo algum, pois a “usura é pecado” e a anuidade poderia ser paga em duas, três, quatro vezes, ou em orações.

Afinal de contas, Deus é Pai, Cristo é o Senhor, mas Visa é o cartão em mais aceito em estabelecimentos em todo o mundo.