Bom Dia, Sr. I – A Sorte ao Alcance de Todos

dezembro 5, 2007

“Bom dia, Sr. Estamos com uma promoção de…”. Sempre começa assim. O maior gerador de empregos do mundo moderno – o Telemarketing. As técnicas desenvolvidas não deixam de, por vezes, ser geniais em sua simplicidade, efetuando vendas por meio do cansaço, da ameaça e do quase estelionato.

Sempre imaginei, à medida em que o mundo sucumbia aos encantos das telecomunicações, qual seria o próximo passo do infame Art. 171 – aí apareceu o telemarketing.

Antes dele, eu creio que havia ganho um sorteio ou promoção uma ou duas vezes na vida. Uma delas foi num bingo de bairro. Diversas velhotas já haviam ganho vídeocassetes, TVs e micro-systems. Minha cartela estava ficando cheia e, súbito, gritei “Bingo!”. Ganhei o prêmio – um maravilhoso quadro de natureza-morta pintado pelo presidene da associação dos amigos do bairro. O quadro ficou perto da grade de sacos-de-lixo do prédio. Espero não haver ofendido os lixeiros.

Numa outra ocasião, ganhei uma camiseta de “Dirty Dancing – Noites em Havana”, numa promoção do ClubeUOL que envolvia uma pergunta para a qual as 20 melhores respostas levariam um kit do filme. Não lembro o que respondi.

Contudo, hoje em dia, todas as vezes nas quais recebemos ligações de atendentes de telemarketing fomos ‘contemplados’, ‘premiados’, ‘sorteados’, ‘escolhidos’ ou ‘agraciados’, para que recebamos algo. Obviamente o sucesso da operação-recebimento-do-prêmio exige algum desembolso em dinheiro por parte do premiado.

Muito me estranha que juízes ainda não tenham colocado essa prática no mesmo patamar de artifícios, esses sim geniais, como o Conto do Bilhete Premiado, ou o da Pepita de Ouro, ou o do Relógio Rolex.

Contudo, hoje recebi uma ligação da TIM. Meu celular é Claro, mas evidentemente fui sorteado pela TIM para que recebesse acesso sem ônus ao plano sei lá o quê. Fui sucinto: “sim, minha senhora, meu nome é Carlos. Vem cá, eu trabalho na Caixa Econômica Federal. Qual o número da autorização do sorteio realizado por vocês, só pra eu checar”.

No segundo seguinte, ouvi um “desculpe, Sr., mas essa informação eu vou precisar estar verificando com meu supervisor, mas depois tornamos a entrar em contato com o Sr. Tenha um bom dia”.

Senti aquela alegria momentânea que só as vitórias de Pirro do dia-a-dia podem causar. Acendi um cigarro e liguei para a Claro – queria saber se já tinha direito a alguma promoção do Clube Claro.

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One Response to “Bom Dia, Sr. I – A Sorte ao Alcance de Todos”

  1. Leo Bueno Says:

    Se eu lhe disser que estou do outro lado dessa moeda, você acreditará? (rs) Entretanto, como o meu setor não é Ativo e muito menos ligado à telefonia celular, não posso falar muito.
    Abraços.

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