Tipos Modernos I – A Solteirona da Yoga

dezembro 5, 2007

É engraçado como algumas coisas rapidamente tornam-se coqueluche quando você mora em uma cidade grande como São Paulo. Com um agravante: uma cidade grande de terceiro mundo.

Ontem passei a tarde tentando entender uma daquelas pessoas as quais prefiro classificar como sendo um dos “tipos modernos”, a solteirona que frequenta a Yoga. Parece um tipo raro, mas a julgar pelo número de escolas ou academias ou sei lá como se chama a porra do lugar onde se pratica yoga, chega-se à conclusão de que deve haver suficientes pessoas matriculadas para que os donos de tais estabelecimentos não morram à míngua.

O fato é que possuo uma vizinha de quarenta e poucos anos. Em seu currículo, dois filhos, um ex-marido, alguns casos e alguma faculdade concluída tempos atrás, cuja área ou curso me foge completamente. Minha vizinha frequenta yoga.

Ok, até aí nenhum problema. Entretanto, ela não apenas frequenta a yoga, mas desenvolveu uma quantidade sem fim de crenças, superstições, simpatias, aderindo a topo o tipo de modismo esotérico de que se tem notícia.

No elevador, o papo varia: “nossa, andei comprando uns cristais… eles trazem uma energia para a casa…”; “tenho uma amiga que chamou um ‘consultor’ em feng-shui, o homem fez milagres”; “você precisa tentar qualquer dia uma sessão de cromoterapia, sua dor-de-cabeça irá sumir”; “olha, conheço um acumpunturista de primeira”.

Seguro-me para não mandar à merda, mas sempre que chego ao limite, vem à minha cabeça a imagem do ex-marido dessa senhora, que aliás não batia muito bem, gritando na sacada ao lado da minha para que o ajudasse a pular, pois a mulher o havia trancado em casa.

Pobre alma, nem todo o quartzo de Minas Gerais faria milagres ali. O fato é que passei a imaginar cada um dos meus amigos com uma vizinha da yoga na porta ao lado. Outro dia visitei um amigo o qual não via há tempos. Descendo do elevador no edifício dois-por-andar, deparei com a porta de meu amigo. Do lado oposto do rol, uma porta diferente – o tapete era hindu, ao passo que alguns ideogramas enfeitavam o batente. Perto do olho mágico, uma espécie de guirlanda ostentava caracteres de origem árabe. Uma solteirona da yoga, sem dúvida.

Bom, vou indo nessa por hoje. Amanhã acordo cedo para compras alguns presentes de Natal. Não sei o que dar a meu pai, mas devo comprar uns cristais para minha mãe.

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One Response to “Tipos Modernos I – A Solteirona da Yoga”

  1. Juliano Defendi Says:

    Fala tomba lata, td bem???
    Grandes textos, abraço irmão!!!

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