Contos Aeroportuários II – “Sem Troco”

dezembro 20, 2007

Fala-se bastante mal da estrutura aeroportuária brasileira. É justa a reclamação. De fato os aeroportos têm filas quilométricas e estacionamentos caros, porém coitado daquele que supuser que há diferenças em se tratando dos aeroportos europeus.

Madri, final de 2006. Com vôo marcado para o dia seguinte às 6h00 da manhã, deixo o hotel Tryp às 13h30 do dia anterior. Um amigo que mora na cidade me acompanha e diz que posso deixar as coisas na casa dele e mesmo puxar um ronco até que chegue a hora de meu vôo.

Meu colega morava com dois casais de romenos em um apartamento com cerca de 60 metros quadrados. Tinha um quarto próprio, pequeno, e dividia banheiro com os demais. Um situação considerada ótima por lá, dado que ele pagava barato pelo quarto, mas que aqui seria uma bela merda.

Cheguei em sua casa de deixei as malas. Três da tarde. Um dos romenos que ali viviam faz milhares de perguntas a respeito de minha estada. Sou brasileiro, é inútil dizer que não vou ficar e que estou com passagem marcada para o dia seguinte. Saímos eu e meu amigo, e quando voltamos, novas admoestações por parte do romeno. Com o saco na Lua, decido tocar para o aeroporto por volta das 20h00.

Pego o metrô rumo a Barajas, chegando ao aeroporto por volta das 21h30. Arrumo um armário para as malas, faço o check-in e preparo-me para varar a noite no lugar. Às 22h30 já deixei tudo pronto. Meu cigarro acaba e quero tomar uma coca, no bolso, apenas uma nota de 50 euros.

Sempre achei que aeroportos funcionassem 24 horas. Isso inclui algo no tocante a consumo, creio. Os espanhóis não crêem. A partir das 23h00 você só acha vending-machines por lá, mas quem disse que essas trocam notas de 50 euros?

Puto, tomo o metrô de volta para o centro da cidade, ando quilômetros para achar um lugar que venda as duas coisas, compro e retorno. Já é 0h50 e chego ao aeroporto no último trem.

Decido não dormir e viro o zumbi oficial do aeroporto, vagando por toda a madrugada entre os poucos funcionários restantes e uma multidão de turistas dormindo, os quais haviam se fodido num vôo da Air Madrid.

Já num dos últimos cigarros, resolvo fumar fora do aeroporto, na área próxima aos táxis. Ao meu lado, um rapaz pede o isqueiro. É romeno. Para passar o tempo, conto a ele minha aventura. Ele ri e dá uma resposta nada agradável: “Caralho, eu podia ter trocado para você!”. Qual o problema com os romenos?

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One Response to “Contos Aeroportuários II – “Sem Troco””

  1. Lucas Says:

    hahaha….. História interessante, mas eu não entendi a comparação com os nossos aeroportos, no final o vôo atrasou ou não?

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