Mil Reveillons – “Só Trabalhando”

janeiro 1, 2008

Resolvi abrir espaço para algumas histórias interessantes que chegaram aos meus ouvidos neste último Reveillon. Data de muita festa e alegria, também é marcada pelas maiores cagadas e fatos de peculiaridade imensa, como o que meu irmão, que passou o dia 31 em Macaé, norte fluminense, me narrou.

Macaé era uma pequena cidade entre a capital fluminense e a cidade de Campos de Goytacazes, a qual experimentou desenfreado crescimento nos últimos anos. Isto porque, na verdade, grande parte das jazidas de petróleo da Bacia de Campos ficam no litoral do município de Macaé, e outras no município de Carapebus, adjacente e que já foi pertencente ao primeiro.

Cidade pouco turística em termos de praias, possui dois bons balneários – a praia dos Cavaleiros e a praia do Pecado. A cidade cresceu imensamente com o dinheiro do petróleo e, mesmo não sendo um paraíso turístico, conta com grande infra-estrutura hoteleira. Mas a criminalidade cresceu junto com a cidade, como não poderia deixar de ser.

Bem, estava meu irmão jantando em um desses restaurantes na beira da praia, na avenida que margeia a costa. Sentado tranquilamente ao lado do parapeito que dava para a rua, conversava com sua namorada e comia camarão tranquilamente.

Súbito, um vendedor aparece ao lado, na rua, oferecendo algumas cestas de vime e coisas do gênero. O cara era chato pra caralho. Meu irmão precisou dizer que não queria merda nenhuma umas dez vezes, mas então o cara se foi. Ofereceu para mais meia dúzia de pessoas que jantavam e uma ou duas compraram as bostas das cestas.

Dez minutos se passaram, então um homem de colete abordou o ambulante. Era um fiscal da prefeitura, chamando o cara para “conversar”. Pelo que meu irmão pôde ouvir, o fiscal já havia alertado o ambulante sobre a proibição de se comercializar mercadorias sem licença no local. O vendedor fez escândalo, brigou e fez birra. Aí então o homem de colete chamou mais três, arrancando a mochila com do cara e jogando dentro de uma perua.

Imediatamente apareceu uma revoada de pessoas da turma do “deixa disso”. “Não, o cara tá só trabalhando, merrmão”; “deixa o menino vender, não tá roubando ninguém”; “vocês querem bater no menino que eu vi”; etc.

Foram duas horas de vai-e-vém. Ao final, o cara da prefeitura, o fiscal, deu uma multa pro camelô, levou a mochila e o dispensou. “Pagando a multa devolvemos as coisas”. O cara já sabia, correu o risco. Mas as pessoas o defendiam como se fosse um cão abandonado. Um senhor chegou a dar 15 reais pro vendedor, a troco de nada.

O tempo passou e foi ficando tarde. O camelô deu uma última rodada e foi embora. Meu irmão ficou irritado com o casal da mesa de trás, que abriu a carteira e deu uma nota de dez para o ambulante.

O casal fechou a conta e foi embora. Meu irmão tomou um café, pagou e foi embora cinco minutos depois. Indo em direção ao carro, deparou com o senhor da mesa de trás – a mulher em prantos e o sujeito com cara de apavorado e nervoso ao mesmo tempo. Ele abordou meu irmão: “desculpe, amigo, você pode me dar uma carona até meu hotel, roubaram meu carro”. Meu irmão perguntou se tinha sido roubo ou assalto. O sujeito disse que o vendedor ambulante, assim que eles saíram do restaurante, os abordou com uma arma, e levou carro, carteira e bolsa.

Meu irmão deu uma risada de canto de boca, olhou o cara e disse: “fazer o quê? O cara estava só trabalhando”. Entrou no carro, ligou o motor e foi embora, deixando o casal com cara de merda na calçada.

Anúncios

2 Responses to “Mil Reveillons – “Só Trabalhando””

  1. Marco Says:

    Sim, presenciei toda a cena. Se eu fosse da PM teria feito esse vagabundo passar o reveillon no inferno!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s