Detetive Cavalcante e o Tiroteio na Feira

janeiro 11, 2008

Desde que Cavalcante (leia toda a saga) fora transferido para a 102ª DP, sua vida se tornou recheada de aventuras, o que faz lembrar o episódio do roubo do pasteleiro na feira. Era uma quinta-feira de manhã e havia uma feira de rua bem próximo à delegacia.

Tonhão chegou na DP com uma fome do cacete e, por mais que Cavalcante insistisse em fazer os “preparos” para a ronda vespertina, foi convencido a passar antes na feira, para comer um pastel.

Chegaram na barraca do senhor Fujioka. Tonhão pediu logo um pastel “especial”, que vem com tudo – carne, queijo, calabreza, tomate, bobó de camarão, ravioli, dobradinha e o caralho. Além disso, ganha-se um pastel de brinde. Já Cavalcante, tradicional, recorreu a um pastel de queijo: “pra mim, pastel que é pastel é de carne ou de queijo”. Tonhão, de boca cheia, suspirou.

A barraca de Fujioka era grande e havia atrás uma Kombi, onde eram guardados os pastéis prontos para fritar e também a sangria da grana. Não passou muito tempo e, enquanto Cavalcante investigava o vinagrete com cara de enjoado, ouviram-se gritos vindos da Lombi. “Assalto, assalto”, dizia a mulher, a qual podia ser filha mais velha, prima, tia, irmã ou esposa de Fujioka.

Tonhão e Cavalcante sacaram os revólveres e correram atrás do elemento, que ia se esgueirando entre as pessoas e barracas. Tonhão gritava para que todos se jogassem ao chão – ele percebera a 380 na mão do meliante.

Quando o cenário abriu e Tonhão percebeu que o elemento engatilhara a arma, apontou e mirou nas pernas do bandido, mas seu revólver estalou e nada. “Cavalcante, estou sem bala. Atira na perna! Atira na perna”!

Cavalcante mirou e disparou. Errou. Mirou uma mais, mas novamente errou. Decidiu que agora acertaria, enquanto o ladrão fazia a curva na rua da feira, passando em frente a uma banca de abacaxis. Cavalcante sentou o dedo – foram 11 tiros.

Embora nenhum deles tenha acertado as pernas do gatuno, os disparos rolaram os abacaxis da banca, espalhando-os pelo chão. O ladrão pisou num deles e escorregou em grande estilo, caindo em cima do tablado de outra barraca e se fodendo todo. Tonhão não perdeu a corrida e, bom lutador que era, pulou em cima do cara e o imobilizou. Em 15 segundos o bandido estava algemado.

Enquanto ajeitava o bandido para levá-lo ao distrito, Cavalcante pegava um ou dois dos abacaxis alvejados. Tonhão bradou: “que porra você está fazendo, Cavalcante”?

“Estou levando alguns desses abacaxis. Como lembrança de minha primeira prisão neste distrito”. Tonhão pediu ao companheiro que segurasse o bandido algemado, tirou vinte mangos do bolso e foi até a banquinha de ervas. “Me vê um quilo de arruda, por gentileza”.

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