Ex-Mulheres XI – “O Corretor de Imóveis”

fevereiro 3, 2008

Maria Paula era mineira. Estava chegando em São Paulo para cursar a universidade e não encontrava um bom apartamento para alugar. Só achava boas propostas em bairros muito afastados, a partir dos quais o transporte para a faculdade era extremamente difícil.

Um dia, sentada numa mesa de bar em frente à universidade, conheceu casualmente Inácio. O rapaz já se formara, mas não trabalhava na área. Por um desses acasos do destino, era corretor imobiliário.

Inácio achou um apartamento ótimo para Maria Paula. Aluguel e condomínio baratos, próximo ao metrô e a 15 minutos da faculdade. O estado do imóvel estava excelente. Ficaram amigos os dois.

Pouco tempo depois estavam saindo juntos e, finalmente, quando Maria se formou, os dois resolveram se casar. A menina largou o apê de estudante e foi morar com o marido. A casa de Inácio era ótima e aconchegante, de modo que os dois viveram anos a fio em enorme tranquilidade e felicidade.

Mas como a cidade cresce desenfreadamente, tal qual a família, quando vêm os filhos, os dois começaram a procurar outro imóvel, pois a casa ficara pequena para as crianças, além do que o bairro cresceu demais, e a boa e velha tranquilidade foi para o saco.

Inácio parece misteriosamente acomodado. Não estava procurando demais por outro lugar e criticava todos os imóveis sugeridos por Maria. “Esse é muito frio”; “difícil acesso”; “a pintura está descancando”, e por aí vai.

Passaram-se uns dois meses e, súbito, Inácio tirou um apê da manga. A localização era perfeita, perto do metrô Trianon-MASP. O marido passava o dia elogiando o imóvel, de modo que marcaram um visita no final de semana.

O apartamento era de uma mulher que morava sozinha, mas bem grande. Estava vendendo, pois segundo Inácio, a dona iria se mudar para um outro em Higienópolis. Fazia pós-graduação na FAAP ou algo assim. Maria estranhou o grau de conhecimento de Inácio sobre a antiga proprietária, mas levou em conta que um bom corretor tem de pesquisar a fundo a vida do proprietário do imóvel. Até para conseguir um preço melhor.

Caminharam pelo apartamento, com Inácio mostrando todos os detalhes e o bom estado do imóvel. Falava alegre, como se estivesse mesmo vendendo um apê para Maria. Esse não era o Inácio-marido, era o Inácio-corretor. A desconfiança de Maria foi aumentando.

Chegando ao banheiro, Inácio mostrou o chuveiro, um daqueles bons, o box de vidro temperado e a pia de mármore. Para finalizar, apontou um ganchinho colocado ao lado do espelho, mais ou menos na altura do peito. “Isso aqui é pra colocar a bolsa, quando você estiver se arrumando pra sair ou se maquiando. Eu achei uma ótima idéia”.

Maria não disse mais nada, falou que eles entravam em contato com a imobiliária depois, mas foi embora de cara amarrada, enquanto Inácio insistia que deviam fechar logo o negócio.

Maria foi para casa, enquanto Inácio foi encontrar uns amigos. Na volta, não encontrou nem a esposa nem os filhos em casa. Ligou para a sogra, mas essa disse que a filha não queria conversar. Tempos depois se separaram.

Inácio até hoje não entendeu. Sabia que estava errado, pois tinha uma amante, mas não atinara como a mulher pôde descobrir. Maria passou por questionamentos da mãe, que a apoiou, pois assim que Maria descreveu a cena no imóvel que foram ver, teve a mesma impressão que a filha. Nenhum homem saberia a função do gancho no banheiro… pelo menos nenhum homem que não a estivesse comendo…

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2 Responses to “Ex-Mulheres XI – “O Corretor de Imóveis””

  1. fatima Says:

    Oi

    Adorei a série ‘ex-mulher’, mas este último foi o que mais me agradou.

    Abraços.

    😉

  2. fatima Says:

    Oi
    Respondendo à tua pergunta: O motivo que me levou a gostar especialmente desta do ‘corretor de imóveis’ foi a perspicácia demonstrada pela mulher.

    Existem coisas que só nós mulheres conhecemos a função, fazem elas parte do universo feminino; assim como existem coisas que fazem parte do universo feminino.

    Claro que algum homem poderia saber a função do ‘ganchinho’, mas isso seria uma exceção à regra, pois não?

    Abraços!

    😉

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