A Vida Imita a Arte – “Malabares”

abril 8, 2008

A humanidade sempre considerou interessantes os malabaristas. Desde a Idade Média, artistas itinerantes e circenses capazes de equilibrar pratos na cabeça ou fazer malabarismos com múltiplos objetos usando apenas as duas mãos fizeram sucesso entre os espectadores.

Sempre. Até o ano 2000, aproximadamente. Daí por diante, tal prática virou algo “cool” entre estudantes esquerdistas e hippies, além de ser a melhor resposta dos governos brasileiros – sejam eles municipais, estaduais ou anormais – para a completa falta de cultura e analfabetismo que infesta o país desde seu Descobrimento.

Desde então, os fárois das metrópoles brasileiras viram-se apinhados de pivetes – e alguns nem tão pivetes assim – que utilizavam-se de duas varetas, uma em cada mão, para fazer pífias evoluções com um pauzinho, artifício muito eficaz para atentar contra a ignorante generosidade de motoristas, que incentivavam a disseminação das bizarra e quase paleolítica forma de “arte” mediante esmolas concedidas.

Mas como tudo na vida evolui – e no Brasil, involui – novas variantes do malabarismo de farol começaram a proliferar. Começou com o malabarismo “dificílimo” com duas laranjas e por vezes envolveu certas habilidades com os pés – claro, o país do futebol não podia passar sem essa.

Mas um amigo num dia desses assistiu ao que há de mais novo na prática – a vanguarda do malarismo de semáforos, se me permite dizer. Parado a um farol, viu chegar à frente de seu carro um garoto (na verdade tinha barba e poderia tranquilamente ser um servente de pedreiro). Sem absolutamente nada em suas mãos, o rapaz iniciou um indizível “simulacro”, onde mimetizava movimentos de malarista, embora não se pudesse ver bolas, laranjas, varetas ou qualquer outra merda.

Terminando o “show”, o rapaz apareceu à janela do carro, estendendo a mão. Meu colega abriu o vidro e generosamente levou o punho fechado até as mãos do rapaz. Abriu… e não havia nada. Sim, nada melhor do que dinheiro virtual para malabarismo virtual. Caso se esforce, o rapaz até pode comprar um hot-dog virtual, virtualmente matando sua fome, que a essa altura, provavelmente já lhe afetou o cérebro.

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9 Responses to “A Vida Imita a Arte – “Malabares””

  1. majestor Says:

    Só comigo mesmo acontece esse tipo de coisa…

    Sensacional! Muito bem escrito!

    Abrazzo Ragazzo

    http://www.vandosquebrados.wordpress.com

  2. Says:

    concordo totalmente com vc, cara. tá passando dos limites isso…
    abraçao 🙂

  3. Vanessa Carrieri Says:

    Só podia ter acontecido com o Raga! A reação é muuuuito típica!
    Hahahahahahaah!!!
    Adorei!
    beijo

  4. paulinha Says:

    às vezes vc é genial
    por isso eu gosto de vc

  5. Wagner Hilário Says:

    Carlos,
    vc nem às vezes é genial,
    mas sempre foi um lixo.

  6. Wagner Hilário Says:

    Ah, esqueci de dizer,
    o texto é muito bom.

  7. Rono Says:

    nao pude me atentar ao seu texto na lista do google sobre malabares e prestei uns minutos a leitura de seu texto. interessante para uma pessoa que nao sabe o bem que um malabares ou a simples manipulação de qualquer objeto pode trazer para o físico e o psiquico de um ser humano, tanto no fortalecimento muscular, melhoramento de reflexos, aumento da visão periferica, ajuda na coordencacao motora, aumento da auto-estima aumento na concentração, e aumento do tecido cerebral nas duas partes do cerebro relacionadas ao processo visual. além de obrir um leque de aptidões que favorecem ao interesse ao aprendizado da criança. em relação as criancas e adultos que ficam no sinal somente pelo dinheiro, e nao tenta aprimorar ou o lado artístico ou a inovação de técnicas, tem que ser criticado, certamente. mas a pessoa que tem a arte como trabalho e realmente é capaz de fazer o que outras pessoas nao conseguem(provavelmente você) merecem sim o prestigio e o respeito de leigos que ainda não aprenderam o benefício de aceitar essa técnica de mais de 4mil anos em prática por países orientais.

    reveja seus conceitos.

    atenciosamente

    • Carlos Matos Says:

      Todo mundo adora contar piada de judeu, português e papagaio, ma é só tirar barato de “artista” e neguinho fica todo mordido. Eu havia esquecido – a solução para o mundo e todos os problemas motores, psíquicos, de desenvolvimento e concentração estão no malabarismo – escola e leitura é coisa pra otário. Pra quê perder tempo estudando quando você pode aprender e desenvolver tudo o que necessita fazendo truques com pauzinhos?

      E reveja também seus conceitos – muitas coisas são praticadas há mais de quatro mil anos – nem por isso são corretas ou produtivas. E em tempo: melhore seu senso de humor e leve críticas numa boa – senão você terá de brincar muitos com pauzinhos e laranjas para desestressar.


  8. Adesivo que mandei fazer(colado no vidro dianteiro, do meu lado):”Não sou seu tio, não tenho trocados e odeio malabarismo!”
    Parabéns pelo blog!

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