A Vida Imita a Arte – “Barcos e Casebres Barrocos”

abril 24, 2008

As obras nas calçadas da Avenida Paulista têm sido um constante estorvo para os que trabalham na região. Mas nenhum incômodo seria suficiente para desabonar o grande avanço cultural causado pela tomada das calçadas em frente ao Parque do Trianon.

Muitos, à essa altura, devem estar imaginando que me refiro aos michês que fazem ponto nas imediações. Não. Não sou veado e se fosse não pagaria para bandidinhos seminus se o fosse. Não me refiro de forma alguma aos moleques “bad-boy-style” da região, e nem mesmo às bichas velhas que os fazem ganhar seu pão.

Refiro-me aos artistas que vendiam quadros em frente ao parque, às margens da Paulista. Que vendam, se alguém os quiser comprar, mas convenhamos – por que cargas d’água todo péssimo pintor escolhe como temas barcos ou casebres barrocos? Que merda de graça tem nisso? Digo à minha namorada – ponha um rato morto pendurado na parede, mas se eu vir algum barco, pulo fora no minuto seguinte.

Já pensei em sugerir ao IBGE – que incluam no censo, além do número de televisores e geladeiras, o número de quadros de barquinhos ou casebres nas residências brasileiras. O número seria assustador. Quem sabe daqui cem anos estudantes de arte terão aulas sobre o período Trianoísta.

– Professor, qual a principal característica do Trianoísmo?

– Barcos, meu filho. Barcos.

– Mas e aqueles casebres barrocos meio sujos?

– Também – basicamente é isso: barcos e casebres.

Com o fim das obras na calçada, muito provavelmente os grandes nomes do Trianoísmo regressarão às margens do parque, porém como em todo movimento “artístico”, é capaz que sofram algum tipo de influência. Quem sabe dessa vez não mudem ao menos as calçadas em frente aos horrorosos casebres.

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2 Responses to “A Vida Imita a Arte – “Barcos e Casebres Barrocos””

  1. Ragas Says:

    Sensacional! Quantos quadros já não vi, com aquela velha figura do casal, ele vestido de smoking e cartola e ela de dançarina espanhola, em frente à casebres amarelos e finos, a ponto de parecerem, na verdade, casinhas de girafa.

    Abrazzo Ragazzo

    http://www.vandosquebrados.wordpress.com

  2. Claudio Says:

    Cara, isso é um puta clichê mesmo hehe

    Deve ser muito facil copiar os tais barquinhos em aulas de pintura porque qualquer rabisco imita as ondas do mar, evitando qualquer perigo de objetos desproporcionais no desenho.

    muito comedia o texto kk – bem pensado, bem escrito

    parabens

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