Jeremias, o Apelão – “Uma Tarde no Oftalmo, 1ª Parte”

maio 18, 2008

Alguns animais são conhecidos pela capacidade de protagonizar esforços titânicos quando acuados ou em desvantagem. Tornam o que seria uma derrota em uma vitória a constar dos anais. Assim é Jeremias – feio, pouco inteligente e de família pobre, o rapaz conseguiu transformar o que o tornaria para as mulheres o equivalente a um cão raivoso com infecção hospitalar em um príncipe, aproveitando-se das sutis circunstâncias proveitosas que a vida oferece. Ou seja, em termos práticos, Jeremias é um apelão.

Na tarde da última quinta-feira, Jeremias enfim conseguiu marcar horário para realizar um exame de vista, mesmo com seu plano de saúde vagabundo. A central do plano não diferia tanto assim de qualquer hospital público da Zona Leste, porém o povo que esperava, em geral, era bem encarado. O nome do plano? Nem idéia. Mas esqueça, não era nenhum Amil, Medial, Unimed ou mesmo esses novos, como o tal Dix.

 Mal chegou e Jeremias já fitava duas garotas – meio gordinhas é bem verdade – as quais aguardavam sentadas ao fundo o momento em que a enfermeira pingaria o colírio dilatador. Instantaneamente, Jeremias lembrou-se da frase de uma enfermeira que o atendeu, ainda quando era criança: “bastam três gotas, não se deve colocar mais que isso meu filho, ou você não conseguiria enxergar nada”.

O rapaz então jogou um olho dentro do ambulatório. A enfermeira era realmente feia, feia mesmo, doía na vista – uns 100 quilos e cinquenta anos de idade. Jeremias logo percebeu que ela não usava qualquer anel. Certamente não era compromissada.

Olhando para os lados, empurrou a enfermeira dentro de uma sala e foi logo tascando um beijo de língua. Depois de um sarrinho com a gordola, comentou que as duas meninas na sala de espera eram primas suas, e que ele queria pregar-lhes uma peça. Pediu à enfermeira para que pingasse uma gotinha a mais do colírio dilatador, meio “sem querer”.

A velhota topou, na esperança de descolar uma piroca para logo mais, de noite. Fazia alguns bons anos que não via uma na sua frente e Jeremias, apesar de feio que só vendo, parecia que faria um bom serviço. Pegando o vidrinho do colírio, a volumosa enfermeira caminhou em direção às garotas.

Continua…

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One Response to “Jeremias, o Apelão – “Uma Tarde no Oftalmo, 1ª Parte””

  1. Ragas Says:

    Esse é primo do Neves!!! hehehehehehe…

    http://www.vandosquebrados.wordpress.com

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