O Homem e o Mundo – “Pneu Furado”

fevereiro 3, 2009

Ninguém gosta de ter um pneu furado. Melhor ainda, ninguém gosta de trocar um pneu. Entretanto, certas situações exigem soluções rápidas e, cá para nós, mesmo a mais inepta das cocotas não demora mais de meia hora para colocar um estepe.

A história a seguir é completamente baseada em fatos reais.

Uma grande amiga possui um namorado que, por assim dizer, é razoavelmente encostado. Rolos vazios de papel higiênico, cestos de lixo transbordando e potes de danoninho ou iogurte jogados em cima do sofá pela manhã são apenas exemplos desse comportamento. Não são falhas dignas de prisão perpétua, mas denotam características peculiares da personalidade de alguém.

Pois bem – o namorado aparece na residência de minha amiga às nove horas da noite de um domingo. Sem menção ao fato, liga a TV e coloca na ESPN – ele quer assistir ao Super Bowl. Entendo que o futebol americano seja o esporte nacional dos Estados Unidos, mas o brasileiro não costuma dar muita importância.

Já assisti a alguns jogos do referido esporte em minha vida. Nunca vi nenhum lance digno de “urrú urrú urrú”, “caralho, olha, olha” ou “nooooossa, essa foi inacreditável”. Na dinâmica redundante do jogo, brutamontes com capacetes se enfileiram téte-a-téte e se trombam, permitindo a um cara mais “magrinho” lançar a bola a um que corre na frente. Com o cara da frente derrubado, pára-se o lance e forma-se nova linha téte-a-téte.

Pois bem, contei três “urrús”, dois “caralho, olha, olha”, além de um fantástico “noooossa, o cara esbarrou no juiz”, muito embora eu suponha seja normal, em jogo que consiste basicamente de ombradas, esbarrar em um dos árbitros, que devem somar dez ao todo.

Dois quartos do jogo e uma cerimônia de intervalo depois, eis que toca o interfone. Claro, o rapaz não o atende, ainda está fissurado na queda do juiz. Minha amiga o atende, dizendo com expressão de dúvida: “o ‘guincho’ está aí amor…”

Óbvio. O guincho veio em busca do rapaz, que ligou para o seguro assim que ouviu o pneu de seu carro estourando. O seguro tardou apenas duas horas a chegar, mesmo porque ninguém em São Paulo bate o carro, e as seguradoras existem basicamente para trocar pneus. Ou seja, uma troca de pneus tão cara quanto a dos boxes da Fórmula 1. Fico imaginando a cena: “Zacarias de Pneus, boa tarde”; “Por favor, eu queria colar o estepe e fazer o rodízio dos pneus”; “Pois não, são R$ 3.000,00, senhor”.

Sem se fazer de rogado, o rapaz subiu no guincho e foi até em casa, onde o funcionário da seguradora trocou o pneu, ou onde o carro está até hoje com o pneu furado. Nada contra, mas só imagino que no dia em que ferver a água do radiador do moçoilo, teremos a primeira troca de água televisionada da história.

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One Response to “O Homem e o Mundo – “Pneu Furado””


  1. Sensacional!

    Mas, francamente, acho que você deveria ter o moçoilo em mais alta conta. É uma figura ímpar e que lhe valeu um conto divertidíssimo.

    Outra… Assista mais futebol americano. É um esporte do caraio (sem acento, porque paroxítonas em ditongo aberto não são mais acentuadas)!

    Só tem um detalhe, o FA exige muito do cérebro do espectador. Acho que você terá dificuldade em entender rápido.

    Abração e parabéns pelo texto: fácil e engraçado pra caraio. Eu vi você contando a história.

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