Trabalho como editor em uma publicação online. Sisuda, séria, de caráter econômico, acreditem ou não. Em maio passado completei oficialmente dois anos no posto – sim, tem louco para tudo, mas como não sou eu quem paga meu próprio salário, não entrarei no mérito.

O fato é que, ao longo desse período, pude constatar que as mulheres realmente trabalham melhor que os homens, em linhas gerais. Não me condenem. Meu melhor repórter eu indiquei para um emprego melhor, outro saiu da agência por outra oportunidade, embora eu esteja certo de que as razões eram pessoais, e o terceiro… bem, o terceiro é um caso à parte.

Derrubei a primeira das lendas a respeito de cargos de chefia nos últimos meses: a demissão. É difícil demitir, dizem. Não, não é. Bom, não posso deixar de dizer que eu aguardava a oportunidade de tal demissão com olhos muxoxos de uma criança na véspera de Natal, mas diriam os sábios que eu não teria uma noite muito tranquila. Dormi como um bebê. Poucas semanas depois, por ordens superiores, tive de me desfazer de outro funcionário, o qual eu preferia que ficasse. Foi igualmente fácil.

O fato é que, vai um volta um, disponho hoje de uma equipe de três repórteres mulheres – mais rápida, francamente mais determinada e certamente mais obediente. Não, nã contratei ninguém pois queria molhar o biscoito. E não, também não foi por indicação de algum amigo que quisesse molhar o biscoito.

Por enquanto corre tudo às mil maravilhas. Produtividade em alta e exatidão no trabalho. Tudo deve correr muito bem, até uma delas resolver começar a vender produtos da Avon. Sabemos… as mulheres estão roubando os empregos e postos dentro das empresas, mas qual delas resiste a um batom em promoção?

Não muito tempo atrás, quem fosse para os lados da Represa do Guarapiranga encontrava dezenas de vendedores de rua, com pilha de cadeiras, mesas, criados-mudos e toda sorte de móveis de palha, sisal e similares. Os preços eram ridículos e ainda por cima regateáveis.

Um belo dia algum arquiteto decidiu, após encher a cara de vodka e dar uma trepada, que esses móveis, doravante chamados “rústicos”, estavam na moda. Pronto – aqueles móveis antes vendidos a preço de banana em faróis e geralmente levados pela enchente sem qualquer pesar, custavam agora os olhos cara.

Com a chegada da nova novela da Globo onde empurram atores como Lima Duarte como sendo indianos, a merda estava decretada. Peças de palha e junco antes vendidas por R$ 50 agora custam de R$ 1.000 para cima. Como se a maioria dos indianos – que cheira curry, idolatra vacas e considera comer com a mão educação – estivesse preocupada em ter móveis de junco ou ratan.

O fato é que, agora que estou decorando minha casa, e infelizmente sempre gostei de móveis do gênero, terei de esperar o próximo porre do mesmo arquiteto ou então a Globo lançar alguma novela onde o Lima Duarte e o Tony Ramos não sejam mais indianos, mas algum outro povo qualquer que não tenha a palha como matéria-prima para produção de ornamentos. Com sorte, inventam alguma coisa na Rússia e teremos o Lima Duarte no papel de Gorbatchev – com mancha na testa e sem os meus “móveis rústicos”.

Ninguém gosta de ter um pneu furado. Melhor ainda, ninguém gosta de trocar um pneu. Entretanto, certas situações exigem soluções rápidas e, cá para nós, mesmo a mais inepta das cocotas não demora mais de meia hora para colocar um estepe.

A história a seguir é completamente baseada em fatos reais.

Uma grande amiga possui um namorado que, por assim dizer, é razoavelmente encostado. Rolos vazios de papel higiênico, cestos de lixo transbordando e potes de danoninho ou iogurte jogados em cima do sofá pela manhã são apenas exemplos desse comportamento. Não são falhas dignas de prisão perpétua, mas denotam características peculiares da personalidade de alguém.

Pois bem – o namorado aparece na residência de minha amiga às nove horas da noite de um domingo. Sem menção ao fato, liga a TV e coloca na ESPN – ele quer assistir ao Super Bowl. Entendo que o futebol americano seja o esporte nacional dos Estados Unidos, mas o brasileiro não costuma dar muita importância.

Já assisti a alguns jogos do referido esporte em minha vida. Nunca vi nenhum lance digno de “urrú urrú urrú”, “caralho, olha, olha” ou “nooooossa, essa foi inacreditável”. Na dinâmica redundante do jogo, brutamontes com capacetes se enfileiram téte-a-téte e se trombam, permitindo a um cara mais “magrinho” lançar a bola a um que corre na frente. Com o cara da frente derrubado, pára-se o lance e forma-se nova linha téte-a-téte.

Pois bem, contei três “urrús”, dois “caralho, olha, olha”, além de um fantástico “noooossa, o cara esbarrou no juiz”, muito embora eu suponha seja normal, em jogo que consiste basicamente de ombradas, esbarrar em um dos árbitros, que devem somar dez ao todo.

Dois quartos do jogo e uma cerimônia de intervalo depois, eis que toca o interfone. Claro, o rapaz não o atende, ainda está fissurado na queda do juiz. Minha amiga o atende, dizendo com expressão de dúvida: “o ‘guincho’ está aí amor…”

Óbvio. O guincho veio em busca do rapaz, que ligou para o seguro assim que ouviu o pneu de seu carro estourando. O seguro tardou apenas duas horas a chegar, mesmo porque ninguém em São Paulo bate o carro, e as seguradoras existem basicamente para trocar pneus. Ou seja, uma troca de pneus tão cara quanto a dos boxes da Fórmula 1. Fico imaginando a cena: “Zacarias de Pneus, boa tarde”; “Por favor, eu queria colar o estepe e fazer o rodízio dos pneus”; “Pois não, são R$ 3.000,00, senhor”.

Sem se fazer de rogado, o rapaz subiu no guincho e foi até em casa, onde o funcionário da seguradora trocou o pneu, ou onde o carro está até hoje com o pneu furado. Nada contra, mas só imagino que no dia em que ferver a água do radiador do moçoilo, teremos a primeira troca de água televisionada da história.

Não raro impressiono-me com o cotidiano das mulheres, mas talvez nada seja mais torturante e medieval do que o processo da depilação em suas várias vertentes. Se me perguntassem a respeito das origens do processo, minha memória traria à tona certamente a caça às bruxas protagonizada pela Inquisição Espanhola (não por acaso em Portugal, Espanha e França estão as mulheres mais bigodudas e dotadas de pêlos nas axilas de todo o mundo, eu diria).

Nessa época, a cera quente para extrair os pêlos das pernas e buço era tido como a derradeira tortura antes da fogueira. “Morte rápida” era ser queimado, enforcado ou empalado. Lento mesmo era ter de ser depilado antes disso tudo.

O advento da Gilette tornou o processo um pouco menos escabrosos, mas com uma desvantagem – as mulheres desde então JAMAIS aprenderam a raspar a favor, e não contra o fio, o que faz com que sintam coceiras indizíveis após o processo estar completo. Com essa desvantagem, regressam sem titubear ao medieval processo – “com cera quente é bem melhor!” – costumam dizer.

Com o objetivo de, psicologicamente, tornar o processo menos doloroso, inventaram ceras de depilação com todas as cores, aromas, odores e sabores – lavanda, babosa e recentemente até mesmo ‘frutas vermelhas’. Novamente me vem à cabeça a cena da Inquisição Espanhola, ‘aliviando’ o sofrimento de um condenado atirando um preparado de lavanda do pobre diabo enquanto esse queima na cruz. Refrescante.

O fato é que agradeço a disposição das mulheres em recorrer a mais esse sofrimento para satisfazer à nossa classe, no entanto espero que corram mais cem anos antes que a moda chegue ao lado masculino – embora eu já conheça um par de amigos dispostos a se submeter aos terrores da Inquisição.

Tornar-se invisível, aos olhos da ciência, nunca foi uma possibilidade levada em conta. Entretanto, uma breve análise masculina do mundo, quando bem feita, pode levar à existência do Elixir da Invisibilidade. Como seria a sensação de ser invisível – após conversar com alguns amigos e conhecidos, cheguei à conclusão de que tal situação é mais comum do que se possa imaginar.

Início do mês de maio. Recebo a ligação de um amigo das antigas. Sua esposa está grávida e uma descoberta adicional: ele se tornara, da noite para o dia, um homem invisível.

É bastante engraçado o modo com que as mulheres lançam mão de seus maridos quando necessitam ir ao ginecologista. Mais do que o acinte de presenciar a outrem manuseando aqueles tesouros que, até então, o homem considerava pessoais e intransferíveis, tal profissional ainda o faz sem tomar qualquer conhecimento da existência do esposo, namorado, pai, amigado ou qualquer outro grau de relacionamento.

Pois. Meu colega acompanhou a esposa ao ginecologista. “Olá, fulana, como vai a mamãe hoje?”; num primeiro esforço, o marido cumprimentou o médico, recebendo como resposta apenas a mais completa ignorância em relação à sua presença. A esposa sentou-se à frente do médico, conduzindo diálogo atroz e duradouro. Qualquer intervenção feita pelo meu amigo era imediatamente seguida pela cartilha básica da negação da existência: um risinho amarelo, uma respirada funda e a retomada do assunto anterior, incólume, como se nenhum comentário se tivesse interposto ali.

A revolta já tomava conta de meu amigo – mas as coisas provavelmente não pararam por aí. Ao chegar em casa, recebeu uma ligação de sua mãe. Tentou inutilmente entabular uma conversa com sua progenitora, mas esta só queria saber de conversar com a mãe de seu futuro filho.

Ostracismo é uma palavra bonita, seu significado nem tanto. Ali reside atualmente meu amigo. Sozinho, esquecido, olvidado, aguardando apenas a manifestação dos primeiros “desejos” de sua esposa para sair como um louco invisível pela cidade, às três da manhã, em busca de quitutes de alho-poró com figo seco, abóbora com doce-de-leite e toda a sorte de combinações sem sentido criadas pelas mulheres com o simples intuito de punir seus maridos por não carregar dez quilos extras por nove meses.

Acessibilidade. Uma bela palavra – está até mesmo na moda, pelo que venho constatando. Mas o que significa? Em suma, significa criar soluções hipócritas e baratas, que tornem a vida de um cidadão sem limitações físicas um inferno, supostamente auxiliando portadores de deficiências.

Começo aqui pelo estacionamento de supermercados e shoppings – não bastasse a multiplicação desenfreada do número de vagas de deficientes físicos, há agora vagas exclusivas para idosos também. Além de reduzir fudidamente o números de vagas disponíveis, ainda é uma forma cínica de dizer “e aí, velhote, não consegue botar a porra do carro na vaga” ou então “fala, ponto-e-vírgula, aposto que você não bota um triciclo nessa vaga de caminhão”. Na boa, se eu fosse deficiente ficaria puto e provavelmente poria o carro numa vaga comum, só pra tirar onda.

Aqui na Paulista agora estão concluindo a reforma da calçada. Bem distante da avenida, o piso é diferente – possui uma tarja que segue paralela, reta, com o que chamam “piso tátil”. Supostamente isso auxiliará os cegos a se deslocarem, tateando o piso com suas bengalas. Ou seja, o coitado do cego só pode andar em linha reta, e pobre dele se outro cego resolver parar na frente. Terá de esperar. Será que a CET vai divulgar números sobre o congestionamento de cegos na Paulista, em metros? Ou multará o cego que sair da faixa para passar à frente por “ultrapassagem perigosa”? São perguntas que me faço enquanto observo ao excesso de zêlo aparente da sociedade atual.

Não obstante, e retornando ao tema dos supermercados, ok, o cara ali da cadeira de rodas pode estacionar. Porém como fará as compras? O coitado parece estar fadado a passar a vida consumindo produtos das duas prateleiras mais baixas, a não ser que seja transviado o suficiente para trombar com a cadeira de rodas nas gôndolas, derrubando os produtos de cima.

Na sessão de frutas, pegará as laranjas das fileiras inferiores, mas com todo o cuidado possível, caso contrário será soterrado por uma avalanche de hortaliças. Ao chegar no caixa, tem de ser um piloto de provas para manobrar a cadeira por entre o corredor – sim, alargam a porra da vaga no estacionamento, mas não os corredores dos caixas. Por fim, só pode levar produtos que caibam numa cestinha, pois ainda não inventaram os carrinhos-reboque, para enganchar na cadeira de rodas e puxar.

Mas o Grand Finale ainda está por vir: ao sair da loja, depois de passar por todas as demais provações, o sujeito da cadeira de rodas vê o pessoal do apoio e da gerência dos caixas passeando pela loja de patins. Um dia ainda vou entender.

Fico às vezes impressionado com o aprofundamento que as mulheres conseguem atingir em termos de celebridades, show business, cinema e televisão. Não contentes em despender boa parte de seu tempo ampliando seu conhecimento nessas áreas, agem como se tais informações fossem de enorme obviedade e domínio público quando as proferem.

Ontem estava assistindo TV com minha namorada e uma amiga. O filme – “Stigmata” – possui participação da Patrícia Arquette. Aproveitei o ensejo para esnobar, quando ouvi minha namorada dizer que Patrícia era a única Arquette no cinema, que na verdade havia uns 4 ou 5 atores da mesma família. Eu estava certo.

Contudo, não sei porque cargas d’água, o assunto foi para em Emílio Estevez. Até aí tudo bem, não fosse ela dizer que Emílio, na verdade, era irmão de Charlie Sheen – e por conseguinte, filho de Martin Sheen, o cara que faz The West Wing.

Ri na cara dela, ri, e ri mais um pouco. Foi então que ela afirmou que, na verdade, Charlie Sheen chamava-se “Carlos Estevez”. Galhofas. Inacreditável. Porém, o “Deus Wikipedia” revelou: é esse mesmo o nome de Charlie. Além, o nome de seu pai, Martin Sheen, é na verdade “Ramón Gerardo Antonio Estevez”.

Eu já havia sido derrotado, mas ela precisava lançar uma última: “mas isso todo mundo sabe, quem não sabe que o nome dele é Carlos”. Eu não sei. Nenhum amigo meu sabe. Provavelmente ninguém que não trabalhe no Caderno 2 ou na Ilustrada sabe. E o mais importante – a produção de West Wing não faz idéia, ou não colocaria um hispânico com nome de Mariachi no papel de presidente dos EUA.

Pois é. Enquanto me lamento, atino até que ponto os jornalistas especializados em cultura, cinema e entretenimento fazem idéia a respeito da hispanidade dos atores de Holywood. Minha namorada precisa mudar de emprego, necessariamente.

Cheguei a duas conclusões sobre as mulheres e seus cuidados com a pele: elas não cuidam, mas sim fazem funilaria e pintura; em segundo lugar, são masoquistas, definitivamente. A seguir irei enumerar e detalhar alguns “cuidados” femininos com a pele.

Minha namorada resolveu “auxiliar-me” na extração de alguns pêlos encravados. No seu arsenal, agulha e pinça. Sim, podem chamar-me de covarde – um homem de verdade é capaz de lutar até a morte com um crocodilo, mas não fure seus pêlos encravados com uma agulha. Isso dói caralho. “Não, é só uma espetadinha”, tive de ouvir.

Imediatamente, fui obrigado a recordar toda sorte de tratamentos aos quais as mulheres são constantemente submetidas, arrancando a sangue-frio pêlos em regiões delicadas como sobrancelha e buço, fazendo depilações na perna e braço com cera quente (ué, isso não era uma arma na Idade Média?) e finalmente fazendo as unhas dos pés, rotina na qual constantemente têm “bifes” arrancados.

A que outra conclusão posso chegar? Sim, as mulheres são masoquistas, e pior, gostam de estender esse sofrimento às pessoas que prezam, como irmãs, irmãos, namorados e cônjuges.

Comigo não, violão. Vai arrancar pêlo na puta que o pariu. Bata em mim com um toco de madeira, mas não arranque meus pêlos com cera quente. Enfim, deixo aqui um recado da ala masculina: adoramos o resultado de seus tratamentos, mas não nos obriguem a repeti-los.

O mundo do homem pode ser definido em três palavras: prático, confortável e, principalmente, imutável. Assusta o fato de as mulheres (pode-se incluir as bibas aqui) dominarem um número de vocábulos praticamente duas vezes maior que o dominado pelos homens.

Não é brincadeira. A começar pelas cores. Quando se diz “azul” uma única coisa vem à cabeça dos homens, o azul. Quanto às mulheres, isso traz lembranças do azul, do azul-bebê, do turquesa, do anil, do água, etc, só se atendo aos tons mais comuns.

Bom, a história começa com a biba ótima que trabalha comigo. Numa terça-feira despretensiosa, o rapaz me aparece com uma peça negra, de tecido parecido com lã, enrolado em seu pescoço. Como bom homem, nada comento ou observo.

Não tarda muito e uma das meninas lança “bonita pashmina”. Parei. Estava numa ligação e disse que chamava mais tarde, que me desculpasse. Desliguei. Como bom homem, apenas uma frase veio à tona: “que caralho é uma pashmina”?

O alegre rapaz se apressou em explicar: “é uma espécie de cachecol, mas é mais larguinho”. Bem, convenhamos, se é “uma espécie de cachecol”, é um cachecol, porra! Não, ouvi durante quinze minutos histórias fabulosas sobre a origem e trajetória da pashmina, bem como cogitações acerca da etimologia do vocábulo. Perplexo, dei-me por vencido, eu sabia o que era uma pashmina.

O tempo passou e viajei a Buenos Aires. Passando por uma banca de rua, exclamei, de mãos dadas com minha namorada: “veja, uma banca de pashminas”! Ela não fez menção ao fato de eu saber o que é uma pashmina. As mulheres de hoje não sabem mais apreciar um homem rústico e tradicional. Assim, não aguentei e tive de presenteá-la com uma pashmina… era linda…