Dois amigos caminhavam por entre os escuros becos do Belenzinho, por volta da uma da manhã. Já iam meio sonolentos e cansados – o ‘happy-hour’ durou um pouco mais do que devia e tiveram de pegar um ônibus, ao invés do metrô. Mais umas quadras e chegariam ao apê onde moravam, numa daquelas famosas vilas conhecidas como antros de italianos, mas que hoje de italianas só tinham alguma macarronada meia boca feita de fim de semana.

Em certo momento, após muito caminhar, tiveram a impressão de que andavam mais do que supostamente deveriam. O rapaz da esquerda parou de repente, dando-se conta de que já iam perdidos os dois. olhou no relógio e já passava das duas.

Pararam e olharam em volta… nada lhes parecia familiar, no entanto. o segundo rapaz acendeu um cigarro, comentando que deveriam voltar para o lado do ponto de ônibus, pois dali saberiam refazer o caminho, dessa vez o correto. Por mais meia hora caminharam, e nada.

Embriagados estavam, mas nada de absurdo. Não era possível que não pudessem encontrar o caminho de volta. Andaram um pouco mais e depararam com um boteco, ainda aberto. O balconista deu “noite”, mas não soube dizer em que direção ficava o endereço que os rapazes procuravam. Ofereceu-se então para servir uma cerveja aos dois – “a primeira por conta da casa”, disse ele.

Aceitaram, decidindo esperar até o dia raiar para que pudessem assim localizar sua casa mais facilmente. Quatro da manhã, com os dois já breacos, e o balconista seguia servindo “por conta da casa”. Quando deu cinco da matina, os dois já nem enxergavam direito – deu mais quinze minutos e o primeiro caiu, sendo logo seguido pelo companheiro.

Seis da manhã, os dois acordam, ainda bêbados, e um bilhete grudado no peito de um deles. O papel trazia um mapa, com a localização da rua que procuravam e um simpático “quando quiser, de novo por conta da casa”. O bar, em frente, estava com as portas baixadas. Caminharam aliviados e bêbados até em casa, com a mente livre e descontraída, e um pequeno desconforto na parte de trás.

Moral da História: por mais mistério que possa haver, cu de bêbado continua sem ter dono.