Trabalho como editor em uma publicação online. Sisuda, séria, de caráter econômico, acreditem ou não. Em maio passado completei oficialmente dois anos no posto – sim, tem louco para tudo, mas como não sou eu quem paga meu próprio salário, não entrarei no mérito.

O fato é que, ao longo desse período, pude constatar que as mulheres realmente trabalham melhor que os homens, em linhas gerais. Não me condenem. Meu melhor repórter eu indiquei para um emprego melhor, outro saiu da agência por outra oportunidade, embora eu esteja certo de que as razões eram pessoais, e o terceiro… bem, o terceiro é um caso à parte.

Derrubei a primeira das lendas a respeito de cargos de chefia nos últimos meses: a demissão. É difícil demitir, dizem. Não, não é. Bom, não posso deixar de dizer que eu aguardava a oportunidade de tal demissão com olhos muxoxos de uma criança na véspera de Natal, mas diriam os sábios que eu não teria uma noite muito tranquila. Dormi como um bebê. Poucas semanas depois, por ordens superiores, tive de me desfazer de outro funcionário, o qual eu preferia que ficasse. Foi igualmente fácil.

O fato é que, vai um volta um, disponho hoje de uma equipe de três repórteres mulheres – mais rápida, francamente mais determinada e certamente mais obediente. Não, nã contratei ninguém pois queria molhar o biscoito. E não, também não foi por indicação de algum amigo que quisesse molhar o biscoito.

Por enquanto corre tudo às mil maravilhas. Produtividade em alta e exatidão no trabalho. Tudo deve correr muito bem, até uma delas resolver começar a vender produtos da Avon. Sabemos… as mulheres estão roubando os empregos e postos dentro das empresas, mas qual delas resiste a um batom em promoção?