Não muito tempo atrás, quem fosse para os lados da Represa do Guarapiranga encontrava dezenas de vendedores de rua, com pilha de cadeiras, mesas, criados-mudos e toda sorte de móveis de palha, sisal e similares. Os preços eram ridículos e ainda por cima regateáveis.

Um belo dia algum arquiteto decidiu, após encher a cara de vodka e dar uma trepada, que esses móveis, doravante chamados “rústicos”, estavam na moda. Pronto – aqueles móveis antes vendidos a preço de banana em faróis e geralmente levados pela enchente sem qualquer pesar, custavam agora os olhos cara.

Com a chegada da nova novela da Globo onde empurram atores como Lima Duarte como sendo indianos, a merda estava decretada. Peças de palha e junco antes vendidas por R$ 50 agora custam de R$ 1.000 para cima. Como se a maioria dos indianos – que cheira curry, idolatra vacas e considera comer com a mão educação – estivesse preocupada em ter móveis de junco ou ratan.

O fato é que, agora que estou decorando minha casa, e infelizmente sempre gostei de móveis do gênero, terei de esperar o próximo porre do mesmo arquiteto ou então a Globo lançar alguma novela onde o Lima Duarte e o Tony Ramos não sejam mais indianos, mas algum outro povo qualquer que não tenha a palha como matéria-prima para produção de ornamentos. Com sorte, inventam alguma coisa na Rússia e teremos o Lima Duarte no papel de Gorbatchev – com mancha na testa e sem os meus “móveis rústicos”.

Anúncios