Trabalho como editor em uma publicação online. Sisuda, séria, de caráter econômico, acreditem ou não. Em maio passado completei oficialmente dois anos no posto – sim, tem louco para tudo, mas como não sou eu quem paga meu próprio salário, não entrarei no mérito.

O fato é que, ao longo desse período, pude constatar que as mulheres realmente trabalham melhor que os homens, em linhas gerais. Não me condenem. Meu melhor repórter eu indiquei para um emprego melhor, outro saiu da agência por outra oportunidade, embora eu esteja certo de que as razões eram pessoais, e o terceiro… bem, o terceiro é um caso à parte.

Derrubei a primeira das lendas a respeito de cargos de chefia nos últimos meses: a demissão. É difícil demitir, dizem. Não, não é. Bom, não posso deixar de dizer que eu aguardava a oportunidade de tal demissão com olhos muxoxos de uma criança na véspera de Natal, mas diriam os sábios que eu não teria uma noite muito tranquila. Dormi como um bebê. Poucas semanas depois, por ordens superiores, tive de me desfazer de outro funcionário, o qual eu preferia que ficasse. Foi igualmente fácil.

O fato é que, vai um volta um, disponho hoje de uma equipe de três repórteres mulheres – mais rápida, francamente mais determinada e certamente mais obediente. Não, nã contratei ninguém pois queria molhar o biscoito. E não, também não foi por indicação de algum amigo que quisesse molhar o biscoito.

Por enquanto corre tudo às mil maravilhas. Produtividade em alta e exatidão no trabalho. Tudo deve correr muito bem, até uma delas resolver começar a vender produtos da Avon. Sabemos… as mulheres estão roubando os empregos e postos dentro das empresas, mas qual delas resiste a um batom em promoção?

1. Quando chegar no ponto tal você me avisa? (Ninguém vai ter avisar, amigão. Mais uma, você vai acordar babando no ponto final do bumba, que obviamente fica na casa do caralho)

2. Posso sentar (apontando um banco vago)? (A pessoa imediatamente sentará no lugar. Não desafie o espírito-de-porco das pessoas)

3. Esse ônibus passa na Avenida “tal”? (Pra quê? A pessoa sempre diz que passa, mas depois você descubre que passa um caralho, e tem que tomar outra condução pra voltar)

4. Esqueci o Bilhete Único, você tem troco pra R$ 10,00? (Nem pra 10, nem pra 5, nem pra 2, nem pra nada. Todos sabem que os cobradores são pessoas pagas apenas pra ouvir “ólquemen” e xavecar baianas gostosas no bumba)

5. O senhor pode parar de “esbarrar” (pergunta feita exclusivamente por mulheres)? (Não, querida, ele não vai parar. Vai dizer que sim e vai continuar te dando aquele totózinho por trás. Mais fácil você ir mais pra trás no ônibus, sentar ou descer no ponto seguinte)

Cheguei a duas conclusões sobre as mulheres e seus cuidados com a pele: elas não cuidam, mas sim fazem funilaria e pintura; em segundo lugar, são masoquistas, definitivamente. A seguir irei enumerar e detalhar alguns “cuidados” femininos com a pele.

Minha namorada resolveu “auxiliar-me” na extração de alguns pêlos encravados. No seu arsenal, agulha e pinça. Sim, podem chamar-me de covarde – um homem de verdade é capaz de lutar até a morte com um crocodilo, mas não fure seus pêlos encravados com uma agulha. Isso dói caralho. “Não, é só uma espetadinha”, tive de ouvir.

Imediatamente, fui obrigado a recordar toda sorte de tratamentos aos quais as mulheres são constantemente submetidas, arrancando a sangue-frio pêlos em regiões delicadas como sobrancelha e buço, fazendo depilações na perna e braço com cera quente (ué, isso não era uma arma na Idade Média?) e finalmente fazendo as unhas dos pés, rotina na qual constantemente têm “bifes” arrancados.

A que outra conclusão posso chegar? Sim, as mulheres são masoquistas, e pior, gostam de estender esse sofrimento às pessoas que prezam, como irmãs, irmãos, namorados e cônjuges.

Comigo não, violão. Vai arrancar pêlo na puta que o pariu. Bata em mim com um toco de madeira, mas não arranque meus pêlos com cera quente. Enfim, deixo aqui um recado da ala masculina: adoramos o resultado de seus tratamentos, mas não nos obriguem a repeti-los.

Márcia pegou o telefone e ligou para o plano de saúde. Queria marcar uma consulta com um ginecologista – escolheu por nome no catálogo. “Waldecir, não, nome de mestre de obras”… “Jeremias, não, pinta de jogador”… “Marcelo, nem, nome de moleque”… e por aí foi. Fez que fez e acabou ficando com o Alberto.

Agendou para daí uma semana. De manhã. No dia, antes de sair, lavou bem lá embaixo, não queria ter que ver cara de espanto quando o sujeito mexesse no negócio. Chegou no consultório e cumprimentou Alberto – rapaz de trinta e poucos, loiro de pele morena, alto… fazia o tipo de Márcia. Como já estava com seus quarenta, desencanou do médico e partiu para a consulta.

Quando o cara botou a mão lá ela não se segurou e deu um gemido. O primeiro ele ignorou, o segundo não. “Doeu aqui nesse ponto?”, perguntou, com uma risadinha. Márcia não respondeu, mas quando ele ia tirando a mão, partiu pra cima e segurou ele pelo pulso. Transaram ali mesmo, no consultório.

A coisa foi ficando séria e os dois resolveram morar juntos. Dois anos se passaram e só então, Márcia começou a perceber uma mania extremamente irritante de Alberto. Ele sempre começava a relação fazendo sexo oral nela. Mas não fazia… exatamente. Disfarçava e dava uma examinada.

Márcia foi se irritando.. e irritando… e irritando. Um dia não aguentou e, na hora em que ele abaixou para chegar lá embaixo, deu um berro. Alberto se assustou e parou, perguntando o que tinha acontecido.

Márcia fez um escândalo, perguntou o que tanto ele tinha que ver, se não podia fazer sexo como uma pessoa normal, coisa e tal. Ele então disse que, desde que começaram a sair, sempre notou que ela tinha umas discretas manchinhas nos grandes lábios e, embora achasse que não era nada de grave, era algo que o intrigava.

Uma semana depois, Márcia fez as trouxas e pulou fora. Ginecologista nunca mais, dizia ela. “O maluco vê tanta buceta com problema que quer achar pelo em ovo”, comentava com as amigas.

Mais dois anos se passaram. Márcia pega o telefone e liga para o plano de saúde. Estava ali, de novo, marcando ginecologista. Dessa vez optou pelo Jeremias. No dia marcado, apareceu no consultório.

Jeremias baixou, pôs as mãos e começou a examinar. Logo, deu um veredito: “essas manchinhas nos grandes lábios… então, isso aqui é um fungo. Basta passar uma pomadinha e em uma semana está bom. Quem era seu ginecologista antes? Bem ruinzinho ele, hein”?

Transaram ali mesmo, no consultório.

O mundo do homem pode ser definido em três palavras: prático, confortável e, principalmente, imutável. Assusta o fato de as mulheres (pode-se incluir as bibas aqui) dominarem um número de vocábulos praticamente duas vezes maior que o dominado pelos homens.

Não é brincadeira. A começar pelas cores. Quando se diz “azul” uma única coisa vem à cabeça dos homens, o azul. Quanto às mulheres, isso traz lembranças do azul, do azul-bebê, do turquesa, do anil, do água, etc, só se atendo aos tons mais comuns.

Bom, a história começa com a biba ótima que trabalha comigo. Numa terça-feira despretensiosa, o rapaz me aparece com uma peça negra, de tecido parecido com lã, enrolado em seu pescoço. Como bom homem, nada comento ou observo.

Não tarda muito e uma das meninas lança “bonita pashmina”. Parei. Estava numa ligação e disse que chamava mais tarde, que me desculpasse. Desliguei. Como bom homem, apenas uma frase veio à tona: “que caralho é uma pashmina”?

O alegre rapaz se apressou em explicar: “é uma espécie de cachecol, mas é mais larguinho”. Bem, convenhamos, se é “uma espécie de cachecol”, é um cachecol, porra! Não, ouvi durante quinze minutos histórias fabulosas sobre a origem e trajetória da pashmina, bem como cogitações acerca da etimologia do vocábulo. Perplexo, dei-me por vencido, eu sabia o que era uma pashmina.

O tempo passou e viajei a Buenos Aires. Passando por uma banca de rua, exclamei, de mãos dadas com minha namorada: “veja, uma banca de pashminas”! Ela não fez menção ao fato de eu saber o que é uma pashmina. As mulheres de hoje não sabem mais apreciar um homem rústico e tradicional. Assim, não aguentei e tive de presenteá-la com uma pashmina… era linda…