Desde criança, Osmar era um baita jogador de xadrez. Enquanto a molecada se divertia no futebol, taco e andando de bicicleta, Osmar rapelava a velharada na praça do bairro onde morava. Era um prodígio. Na escola, claro que se deu muito bem em matemática. Acabou se formando na área e, como não queria dar aulas, começou a ganhar a vida vencendo torneios de xadrez.

Ganhava uma boa grana… mas nada de especial. Morava num bairro bacana… mas nada de especial. E pegava uma mulher ou outra… mas nada de especial. Tímido, retraído e sem jeito com o sexo oposto, Osmar só se envolvia com intelectuais. E para quem pensa que ser nerd é ter pau pequeno, Osmar tinha um cacete de 24 cm. Muitas das mulheres com quem se envolvia acabavam pulando fora por dois motivos: Osmar só falava em xadrez; e tinha um pau de cavalo, além de foder como um. Sempre assim; se preparava, montava, dava umas cavalgadas e gozava. A merda é que além de pintudo o filho da puta era sem jeito e a mulherada saída da foda doída que era uma beleza.

Mas um belo dia, Osmar esbarrou com Vanessa. Saíram algumas vezes e, embora a garota gostasse de uma tromba, não esperava que fosse daquele tamanho. Contudo, os dois pareciam ter sido feitos um para o outro. Osmar tinha uma piça enorme, mas Vanessa aguentava firme, sem reclamar. Contudo, sempre o avisava: “Osmar, no cu jamais”.

O tempo foi passando. Um belo dia, enquanto transavam no quarto de Osmar, o rapaz assistia, aficcionado que era, a uma partida do mestre Kasparov. Com metade da atenção na foda e metade na TV, Osmar mal percebera que Vanessa estava quase chegando a um orgasmo.

Atônito e hipnotizado pelos lances da partida, Osmar começou a torcer, em voz alta. “Joga o bispo, o bispo, na casa 3”; “não avança, empurra na lateral”; “não faça isso com o cavalo”, e por aí foi. Vanessa, que como eu já dizia, estava quase tendo um orgasmo, começou a se irritar – ela gozando sem parar e o mané colado na TV, narrando partida de xadrez.

Osmar percebeu a inquietude da menina, mas seguiu fazendo observações sobre os lances, tentando prestar mais atenção em Vanessa, de quando e quando. A garota já estava perto de seu limite, quando Osmar lançou a pergunta, com um olho na TV e outro na menina: “e a torre?”

Vanessa não se aguentou e gritou de maneira estridente – “ENFIA NO CU!!!”. Os dois passaram a noite no pronto-socorro, antes de parar de se ver.

Fico às vezes impressionado com o aprofundamento que as mulheres conseguem atingir em termos de celebridades, show business, cinema e televisão. Não contentes em despender boa parte de seu tempo ampliando seu conhecimento nessas áreas, agem como se tais informações fossem de enorme obviedade e domínio público quando as proferem.

Ontem estava assistindo TV com minha namorada e uma amiga. O filme – “Stigmata” – possui participação da Patrícia Arquette. Aproveitei o ensejo para esnobar, quando ouvi minha namorada dizer que Patrícia era a única Arquette no cinema, que na verdade havia uns 4 ou 5 atores da mesma família. Eu estava certo.

Contudo, não sei porque cargas d’água, o assunto foi para em Emílio Estevez. Até aí tudo bem, não fosse ela dizer que Emílio, na verdade, era irmão de Charlie Sheen – e por conseguinte, filho de Martin Sheen, o cara que faz The West Wing.

Ri na cara dela, ri, e ri mais um pouco. Foi então que ela afirmou que, na verdade, Charlie Sheen chamava-se “Carlos Estevez”. Galhofas. Inacreditável. Porém, o “Deus Wikipedia” revelou: é esse mesmo o nome de Charlie. Além, o nome de seu pai, Martin Sheen, é na verdade “Ramón Gerardo Antonio Estevez”.

Eu já havia sido derrotado, mas ela precisava lançar uma última: “mas isso todo mundo sabe, quem não sabe que o nome dele é Carlos”. Eu não sei. Nenhum amigo meu sabe. Provavelmente ninguém que não trabalhe no Caderno 2 ou na Ilustrada sabe. E o mais importante – a produção de West Wing não faz idéia, ou não colocaria um hispânico com nome de Mariachi no papel de presidente dos EUA.

Pois é. Enquanto me lamento, atino até que ponto os jornalistas especializados em cultura, cinema e entretenimento fazem idéia a respeito da hispanidade dos atores de Holywood. Minha namorada precisa mudar de emprego, necessariamente.

Ferris Bueller – o nome praticamente não remete merda nenhuma para quem tem menos de 25 anos. Porém, esse foi o grande papel – e talvez o único importante – do ator Matthew Broderick, que na época ainda tinha cara de moleque, mas que hoje está no bico, com um pé na cova e outro na casca de banana.

Ferris

O título em português é típico da Sessão da Tarde – “Curtindo a Vida Adoidado”. Matthew é nosso Ídolo da Sessão da Tarde de hoje, porque matou aulas (isso já em 1986) para sair com vagabundinhas da turma, realizar contravenções penais típicas de adolescente e, sua melhor idéia, a de levantar as rodas do carro do pai e acelerar em marcha-ré, numa tentativa completamente imbecil de voltar o contador do odômetro.

Quando eu era criança sempre quis assistir à Super Máquina, mas quase nunca conseguia, pois meus pais me obrigavam a dormir cedo. Uma merda. Todos meus amigos viam os capítulos e se deleitavam com o seriado. Anos depois assisti – achei uma merda.

David Hasselhoff tem cara de corretor de imóveis e a tal super máquina é hoje humilhada por qualquer carro 1.0 mais incrementado. A parte realmente interessante é notar que o carro possui diálogos mais elaborados do que o próprio Hasselhoff.

Michael Knight

Entretanto, o naipe de tiozão, a barba mal-feita e o uso frequente de camisas pólo desbotadas fazem de Michael Knight o nosso Ídolo da Sessão da Tarde de hoje.

O nome parece estranho? Claro, depois que Eddie Murphy fez filmes completamente imbecis como o Professor Aloprado 1 e 2 e recentemente Norbit, onde o filho da puta faz duzentos e quinze papéis que só concorrem entre si no nível de idiotice (tanto assim que é o favorito disparada para a Framboesa de Ouro), todos esqueceram quem era Axle Foley.

Vou facilitar… quem não lembra do filme Um Tira da Pesada. Confesso que as sequências são meia-boca pra caralho, mas o filme original é ótimo. Murphy ainda tem cara de fugitivo da Febem e o roteiro do filme até que é bem razoável.

Tira da Pesada

Um Tira da Pesada dá a Eddie Murphy o direito de figurar como Ídolo da Sessão da Tarde de hoje, para que se possa lembrar de uma época em que o ator era mais engraçado, mais talentoso, mais desconhecido e até mesmo mais negro (foi mal, não dava pra dizer “afro-brasileiro” aqui. O cara é americano) do que atualmente.

Sim, Burt Reynolds é um dos maiores canastrões da história de Hollywood. Sem talento, cara de estivador e nenhum filme extraordinário na carreira. No entanto, na sequência Agarra-me Se Puderes (Smokey and the Bandit) destrói. São três filmes com o melhor da Sessão da Tarde – muita “confusão”, nas aventuras de um caminhoneiro “do barulho”.

Agarra-me

Bo “Bandit” é o melhor estilo do fora-da-lei simpático. Ele não faz nada demais, as brigas são aquelas forradas a sonoplastia barata e nas quais você consegue reparar que os punhos do herói passam a meio metro do rosto dos bandidos. Burt Reynolds, que não se manca e faz logo a porra do bigode, é nosso Ídolo da Sessão da Tarde de hoje.

Pergunta: quem é mais foda que Rambo? Quem faz o Sylvester Stallone, no filme, após matar uma centena de vietnamitas ou destruir metade da polícia de uma cidadezinha nos EUA chorar feito uma menininha? Sim, ele mesmo, o Coronel Trautman.

Trautman

Sendo sincero: ele nunca fez um caralho nos três episódios já filmados de Rambo, mas o Stallone deve ter um motivo muito bom pra borrar a cueca toda a vez que o véio de boina dá as caras. Outra: enquanto Stallone visivelmente envelheceu ao longo da série, Trautman, vivido por Richard Crenna, tem a mesma cara nos três.

Ele deve ser muito foda. Todo moleque sempre quis ver o Trautman ficar puto com as cagadas do Rambo e resolver ir pro pau ele mesmo, mas a falta de visão dos autores da série não permitiu a desenvoltura do véio. Fala-se em um quarto episódio da série e, se Crenna ainda estiver vivo ou de pé, levando-se em conta que o ator já deve estar capenga e na casa dos oitenta, eu botaria o véio só pra ele mostrar a que veio. Coronel Trautman, o véio de boina, é nosso Ídolo da Sessão da Tarde de hoje.

Rocky, um Lutador – filminho total de Sessão da Tarde. Sylvester Stallone incorpora o lutador de boxe Rocky Balboa, pobretão, descendente de italianos e apaixonado por uma mulher tão sem graça e apática quanto ele mesmo. Sua história muda quando é levado a lutar contra o campeão mundial de pesos-pesados: Apolo Creed.

Creed é do caralho. Esse sim um lutador típico americano. Carismático, musculoso, rápido, expressivo e, além de tudo, melhor ator do que Stallone. O herói é vivido por Carl Wheathers. Puta negão forte do caralho, resumindo, dá praticamente uma surra de pau mole em Rocky, como era de se esperar, diga-se de passagem.

Apolo Creed

No segundo filme da série, Balboa consegue milagrosamente um empate com Apolo Creed, que continua extremamente mais foda do que Rocky. Apesar disso, assim como no primeiro filme, o filho da puta do Stallone fica com a cara parecendo um fundo de cinzeiro, de tão fodida, além de gritar vinte vezes sua única frase de efeito em toda a série: “Aaaadriaannn”.

Pois bem, Karate Kid é um dos piores filmes de artes marciais da história mundial. É, isso mesmo. Mas para transformar um saco de pancadas de voz fina e bracinhos de mosquito como o Daniel-san num lutador, só mesmo o Sr. Miyagi.

Pat Morita

Quem nunca desejou ver o Sr. Miyagi partindo pra porrada, enquanto o imbecil efeminado do Daniel-san encerava seu carro e pintava sua cerca como uma empregada doméstica? Miyagi é foda, pega moscas com palitinho e nunca ri ou muda de expressão.

Três urras para o ator Pat Morita, que é nosso Ídolo da Sessão da Tarde de hoje, e pau no cu do viadinho do Daniel-san.

Todos aqui já ouviram falar, pelo menos, de Flash Gordon. Porém pouco tiveram o prazer de assistir ao filme, de 1980, onde o desconhecido Sam Jones “atua” em meio a um festival de figurinos estilo “He-Man”, só que pobres, e miniaturas dignas de seriados de TV dos anos 50.

Flash Gordon

Flash Gordon tem de derrotar o malévolo vilão Ming, que planeja conquistar o universo (com um plano idiota que, sabe Deus porque, inclui a destruição da Terra). Na gravura pode-se notar a espada dourada, visivelmente feita com material cenográfico, bem como o porte “atlético” de Sam Jones no filme. Nota dez para o povo alado, que usa as piores fantasias do longa e também voa tão bem que é possível enxergar os cabos de sustentação. Flash Gordon é nosso Ídolo da Sessão da Tarde de hoje.